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  • Foto do escritorLuciana Vianna Pereira

ESG: Perspectivas para 2023



Iniciamos um novo ano. Um ano de novos desafios, novas percepções de risco no mundo, com aumento da crise econômica, muito decorrente dos dois anos de pandemia seguida de quase um ano de guerra na Europa.


No Brasil, seguimos nossas próprias peculiaridades e desafios com troca de governo, que, se por um lado, conta com indicações de retorno de investimentos para fundos e financiamentos internacionais para ações de proteção ambiental, que ficaram adormecidos por alguns anos, de outro, viveremos trocas e readaptações nas lideranças de CVM, Banco Central, BNDES, SUSEP - atores que foram – e ainda são – fundamentais na construção de uma estrutura de financiamento sustentável e uma economia verde.


Qual a perspectiva, então, para o ESG?


No mundo, parece mais simples fazer previsões.


A unificação da padronização de formas de reporte de sustentabilidade deve seguir. Não há nenhum indício de recrudescimento dessa pauta. Os padrões criados no âmbito da ISSB são consistentes e este ator deve seguir tendo protagonismo no quesito de divulgação de informações.


Aos poucos, vão se desenvolvendo conceitos uniformes, que devem influenciar e permitir a comparabilidade entre empresas, atores, investidores, fundos de investimento.


Cada vez mais, se percebe a necessidade de abrir os olhos para a interconectividade entre as questões ambientais, sociais e de governança. Se a criação da sigla, lá no Relatório Who Cares Wins já indicava isso, o fato é que os temas ainda são tratados de forma individualizada. Diferente dos anos anteriores, o Global Risks Report de 2023, publicado nesse mês, mostrou exatamente essa percepção de interconexão entre os riscos que podem ter efeitos globais e gerar policrises.


A necessidade de preparação para elas é o grande foco do momento.


O crescente movimento anti-ESG no mundo tende a jogar luz sobre as falhas de um olhar ESG míope e sem preocupações com resultado econômico.


O interesse por créditos de carbono deve se intensificar com a crise energética europeia. E o debate sobre os créditos de biodiversidade e formas de geração de ativos ambientais a partir de outros serviços ambientais deve crescer significativamente.

No Brasil, de outro lado, esperam-se mudanças nos rumos da gestão ambiental governamental. Um foco maior na preservação e proteção da Amazônia, reforços nos sistemas de comando e controle nos setores abrangidos pelo ESG.


Por outro lado, os agentes privados continuarão a desempenhar um papel fundamental na agenda. E, ao que parece, pelo menos a CVM, continua firme no seu propósito de entender o mercado de carbono e de ativos ambientais e na necessidade de criação e reconhecimento de instrumentos de financiamento e suporte econômico para uma economia verde.


O lançamento da Norma ABNT sobre ESG no final do ano de 2022 trouxe uma tentativa de uniformização das avaliações empresariais sobre o tema, mas essa norma ainda não fala com as regras do ISSB e trata pouco, bem pouco de um dos pilares que, já no início de 2023, se mostra essencial para uma avaliação ESG séria, que é o pilar da Governança.

E por falar em governança, o rombo de bilhões numa das maiores empresas de varejo do país pode sim chamar a atenção do mercado que sustentabilidade e lucratividade devem sempre andar juntas.


A entrada em vigor dos normativos da CVM, BACEN e SUSEP sobre ESG devem sacudir o mercado brasileiro e rearrumar o tabuleiro dos agentes e empresas. Um outro fator que não pode mais ser negligenciado pelas empresas brasileiras são as normativas editadas na Europa, no final de 2022, que aprovaram a Directiva sobre divulgação de informações sobre sustentabilidade por companhias, regulação da tributação de carbono na fronteira, norma sobre due diligence ESG para grandes empresas, normas sobre pegada de carbono de commodities e a chamada norma antivazamento de emissões de carbono.


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